Se a gente não cuida, acaba torcendo para dar acidente, para ter gente baleada, para cair um helicóptero. Só para alimentar o noticiário. Para piorar, há quem agrave o quadro, transformando a dor alheia em espetáculo.
Paralelamente, do outro lado da TV, do outro lado do rádio está a viúva do motorista do caminhão, a mãe de quem foi alvejado num assalto ou o filho do piloto do helicóptero.
“Fecha em mim!”; “Não perca, depois do intervalo, um acidente incrível!”; “No programa desta tarde você vai saber o que aconteceu com esse vagabundo que aparece na tela...” Eis o discurso de muitos apresentadores dos shows.
Mas claro que ninguém é “irremediável”. O “vagabundo” pode dar outro rumo na vida — claro que com menos desigualdade social e um sistema prisional decente isso seria mais possível. E o inverso também é verdadeiro.
Para piorar 1, tem marcas que promovem tudo isso através de patrocínio. É no que estão acreditando.
Para piorar 2, toda uma sociedade fica passível de insensibilizar-se por conta da superexposição ao sensacionalismo midiático. Ao show de horror.
Fecha pra mim.
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Expresse-se. Mas, se eu precisar lembrá-lo/a de ser educado/a, já me assusta o que sairá de ti.