terça-feira, 30 de abril de 2019

Show de "notícia"

Se a gente não cuida, acaba torcendo para dar acidente, para ter gente baleada, para cair um helicóptero. Só para alimentar o noticiário. Para piorar, há quem agrave o quadro, transformando a dor alheia em espetáculo. 

Paralelamente, do outro lado da TV, do outro lado do rádio está a viúva do motorista do caminhão, a mãe de quem foi alvejado num assalto ou o filho do piloto do helicóptero. 

“Fecha em mim!”; “Não perca, depois do intervalo, um acidente incrível!”; “No programa desta tarde você vai saber o que aconteceu com esse vagabundo que aparece na tela...” Eis o discurso de muitos apresentadores dos shows.

Mas claro que ninguém é “irremediável”. O “vagabundo” pode dar outro rumo na vida — claro que com menos desigualdade social e um sistema prisional decente isso seria mais possível. E o inverso também é verdadeiro. 

Para piorar 1, tem marcas que promovem tudo isso através de patrocínio. É no que estão acreditando. 

Para piorar 2, toda uma sociedade fica passível de insensibilizar-se por conta da superexposição ao sensacionalismo midiático. Ao show de horror.

Fecha pra mim.

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