sábado, 25 de maio de 2019

Cabe tudo?

“Se o carrinho de cachorro quente do meu vizinho está dando certo, por que eu também não abro um?”

Este deve ser o raciocínio de muita gente que resolve empreender. Por que não tentar, não é?

E a maioria de nós quer ter o mínimo de conforto material. Quer poder colocar crédito no celular ou comprar um Danoninho para o filho. Se a sua ambição vai além disso, não se acanhe.

De febre de comércios também teve o açaí, a barbearia, o crepe, a paleta mexicana e tantos outros. Não necessariamente nesta ordem.

Não acho que seja moda, até porque empresário graúdo não investe consultando o horóscopo. Ele costuma estudar muito antes de pregar uma táuba. Mas fico me perguntando se haverá consumidor para tanto super, para tanto hipermercado que vem abrindo em São Chico. Às vezes dá a impressão que, enjoada da novidade, a clientela vai voltar a comprar no mercadinho do bairro ou fora da cidade.

Não é mau agouro. Só estou refletindo. A maturidade (ou a coleção de incômodos) tem me feito pedir desculpas antecipadas para evitar tretas.

Para os funcionários desses novos empreendimentos, seria ruim o mau desempenho dos mesmos. O fracasso, ent... “VIRA ESSA BOCA PRA LÁ!!!” Para os donos, também seria ruim. Possivelmente, para a freguesia. Para a cidade, idem, já que implicaria em perda de arrecadação.

Mas, e os pequenos negócios? Pensemos neles. Estariam ou não sendo prejudicados pelos grandões supermercadistas? Falo de mercearias, mercadinhos, mercados, frutarias. Daquela perto de casa, onde dá para pendurar, para comprar cigarro solto e que está sempre a postos quando acaba o óleo ou a cerveja. Tragédia. Acabar a cerveja é tragédia.

Não sei se tem espaço para todo mundo. Não me parece uma característica de nosso sistema econômico vigente essa coisa de harmonia; de tem espaço para todo mundo numa mesma área de atividade.

Vamos curtir esse momento de aparente prosperidade. Não é pessimismo. É só um medo de que a coisa ande depressa demais e não seja sustentável. Tipo, tapa ali, descobre aqui.

Individualizando o raciocínio, deve ser muito boa a sensação de ser chamado por um supermercado, por uma loja de departamentos dessa que está vindo para cá. Falo da alegria por ter um salário fixo, carteira assinada, essas coisas. Isso importa. E muito. Muito, para a maioria das pessoas, creio. E o desemprego no Brasil não está fácil.

Enfim, mas jamais encerrando, que diversifiquemos nossa economia; que venham investimentos o menos impactante possível, ambientalmente falando; e que nossos líderes não se esqueçam de preservar a saúde dos negócios de gente da terra, que não deveria ser engolido do dia para a noite.



Imagem ilustrativa. (Crédito: https://www.mgfimoveis.com.br/)

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